A forma mais comum de definir preço em serviço é olhar o que o vizinho cobra. O problema é que o vizinho tem outro aluguel, outra equipe, outro volume e talvez outro prejuízo. Preço copiado é palpite com aparência de pesquisa.
O caminho mais seguro é montar o preço de baixo para cima: custo, tempo, margem — e só então comparar com o mercado para decidir posicionamento.
Passo 1 — custo por hora da estrutura
Some os custos fixos mensais e divida pelas horas que você consegue vender no mês:
Horas vendáveis não são as horas em que a porta está aberta. Desconte almoço, limpeza, deslocamento e o tempo administrativo. Um dia de 8 horas raramente tem 8 horas vendáveis.
Passo 2 — custo direto do serviço
É o que só existe quando aquele atendimento acontece: material consumido, descartável, produto aplicado, comissão do profissional, taxa da maquininha. Calcule por atendimento, não por mês.
Passo 3 — tempo real ocupado
Use a duração completa do serviço: preparo, execução e fechamento. É esse tempo que consome a sua capacidade — não apenas o tempo em que você está com a mão no trabalho.
Passo 4 — junte tudo
Repare que a margem e os impostos entram como divisão, não como soma. Somar 20% sobre o custo não entrega 20% de margem sobre o preço — entrega menos, e é um dos erros mais comuns em tabela de serviço.
Confirme sempre as alíquotas aplicáveis ao seu regime tributário com a sua contabilidade antes de fechar a tabela. Regime, atividade e faixa de faturamento mudam a conta, e usar um percentual genérico compromete a margem inteira.
Passo 5 — teste o preço contra a agenda
Um preço só é viável se a agenda comporta o volume que ele exige. Faça o teste inverso:
Se o resultado não cobre custo fixo mais retirada, não adianta esforço comercial: ou o preço sobe, ou a estrutura de custo desce, ou o mix de serviços muda.
Mix de serviços é uma alavanca de preço
Nem todo serviço precisa da mesma margem. É comum ter serviços de entrada — mais baratos, que trazem gente nova — e serviços de maior valor, que sustentam o resultado. O que não pode acontecer é o serviço de entrada ocupar a maior parte da agenda sem levar a nada depois.
Quando e como reajustar
- Revise a tabela em data fixa, uma ou duas vezes por ano, e não só quando o custo aperta. Reajuste pontual e emergencial parece arbitrário para o cliente.
- Avise com antecedência quem já está agendado e respeite o preço combinado para os atendimentos já marcados.
- Reajuste percentual pequeno e regular incomoda menos do que um salto grande depois de dois anos parado.
- Se for reposicionar para cima, mude também algo perceptível na entrega ou no atendimento — preço novo com experiência idêntica gera atrito.
Erros que custam caro
- Esquecer o tempo de preparo e limpeza na duração — a agenda rende menos do que a planilha diz.
- Ignorar a taxa da maquininha e o prazo de recebimento.
- Não separar a sua retirada do caixa da empresa — sem pró-labore definido, não existe margem, existe sobra.
- Dar desconto em horário que já estava lotado.
- Manter serviço que consome muito tempo e entrega margem mínima só por costume.
Preço é decisão de gestão, não de simpatia. Feita a conta uma vez, a revisão seguinte leva minutos — e você passa a discutir valor com o cliente sabendo exatamente qual é o seu piso.
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